Laguna Marhuay: Ainda falta explorarmos mais?

Nossa curiosidade pelo descobrimento de novas maravilhas naturais nos levou por caminhos que mantêm viva nossa fome de aventura, no entanto, ainda nos falta muito a descobrir…

Os ambientes naturais que cercam o departamento de Cusco, até hoje, continuam a conceder calor e cor ao nosso ecossistema, e ainda mais se nos referirmos a lagos e fontes de água que, além do nome que lhes é atribuído, são fontes indispensáveis de vida que enriquecem a terra.

Uma maravilha pertencente ao Vale Sagrado dos Incas (Cusco), da qual se sabe muito pouco, é a lagoa de Marhuay, localizada no distrito de Coya, na província de Calca. Não se tem muita informação sobre a lagoa, no entanto, ela abriga uma rica fauna selvagem, assim como uma vista espetacular.

Localizada a 4.331 metros acima do nível do mar, fazendo parte de um vale glaciar interandino oriental, a lagoa de Marhuay abriga vizcachas, huallatas (conhecidas localmente como gansos andinos) e alguns camélidos, que costumam ser atraídos pela vegetação característica dessas zonas altas andinas.

Um pouco sobre sua flora ambiental

Nas regiões alto-andinas e, em particular, em Marhuay, sabe-se que a cobertura vegetal é em sua maioria composta por “Ichu“, uma planta que está presente há milhares de anos e continua a ser encontrada até hoje. Entre outros componentes da flora vegetal, destacam-se a quinoa, kiwicha, cañihua e outros grãos andinos que fazem parte dessas zonas. No entanto, o ichu é um dos componentes predominantes nas regiões alto-andinas e, assim como as plantas mencionadas, é capaz de sobreviver em climas extremos e altitudes extremamente elevadas devido ao seu poder adaptativo, o que o torna uma rica fonte de alimento para os animais que vivem ao redor da lagoa de Marhuay. Além disso, o ichu é considerado uma erva perene cujas folhas são finas e duras, o que permite que ela funcione como um isolante térmico, oferecendo proteção contra o frio e servindo como um refúgio para os animais que habitam a zona alto-andina de Marhuay.

Sua fauna: nem lenta, nem preguiçosa

O que vem à mente quando nos fazemos a pergunta sobre se essas espécies são decididas e não têm medo?

O mundo está repleto de bestas e animais dóceis que, por instinto, se regem pelo temor. Então, por que nos damos ao luxo de catalogar a fauna alto-andina como um grupo que segue seus instintos, mas não se deixa dominar pelo medo?

A resposta é simples: a mudança e a adaptação são fatores que determinam a sobrevivência de uma determinada espécie. E ao nos referirmos à fauna presente nas zonas alto-andinas, falamos de animais cujo histórico evidencia uma grande capacidade de adaptação à baixa pressão atmosférica e temperaturas próximas de 0 graus. Na lagoa de Marhuay, especificamente, coexistem animais como vicuñas, guanacos, alpacas, vizcachas, huallatas, tarukas, pumas andinos, o famoso condor andino, entre outros, que foram capazes de se adaptar ao clima extremo que atinge o vale glaciar interandino. Por essa razão, podemos dizer que esses animais não possuem medo e, mais do que medo, sua capacidade de adaptação é o que os define e, ao mesmo tempo, lhes dá a oportunidade de sobreviver em lagos como o de Marhuay. Isso nos mostra que é possível encontrar vida em lugares como esse, o que se torna um atrativo que representa a sobrevivência e incentiva os aventureiros a praticarem o turismo de sobrevivência.

Estabelecer uma conversa com uma lagoa que não fala: é possível?

Parece pouco convincente estabelecer uma conversa com um lugar que, aos nossos olhos, carece de vida, além do fato de não falarmos a língua de um puma, um camélido ou das aves que habitam a lagoa de Marhuay. No entanto, é possível realizar tais feitos, que à primeira vista soam como metáforas, mas vão além disso. Nós vamos te ensinar como realizar tal façanha, basta ter em mente as seguintes formas de fazê-lo:

Conheça a cultura viva sobre a lagoa de Marhuay

Esta parte é extremamente importante, pois a cultura é a voz dos muros, das rochas, das montanhas, dos lagos, das lagoas, dos animais; e que melhor maneira de aprender sobre isso do que conhecendo nossos semelhantes de diferentes culturas, que se desenvolveram ao longo do tempo. Especificamente, na lagoa de Marhuay, temos os moradores da Comunidade Amaru, pessoas que convivem com a natureza e o ambiente, e até hoje continuam preservando os costumes e hábitos que os mantêm em pleno contato com a lagoa de Marhuay.

Essa comunidade é conhecida por sua habilidade em tecelagem, e seus membros são amáveis e dispostos a ensinar suas tradições e habilidades aos turistas e aos aventureiros que visitam a região. Você terá uma grande experiência!

Conheça: Qual é a sua cultura teísta?

No sul do Peru, a maior parte das culturas são teístas, pois acreditam em uma divindade ou até em várias. No Vale Sagrado dos Incas, algumas divindades sagradas são veneradas, como o Deus Sol Inti e a Pachamama (mãe terra), porém, existem outras que, além de serem divindades, são consideradas guardiãs. Geralmente, essas guardiãs são as imponentes montanhas que cercam as lagoas. Aqueles que estão relacionados à lagoa de Marhuay e à comunidade de Amaru são o Apu Pitusiray, Sawasiray e o Huanacaure, sendo o Huanacaure o mais importante para a comunidade de Amaru.

Há muito tempo, o Huanacaure é considerado um espírito protetor das pessoas, do gado e das plantações; e não é surpreendente que ainda seja cultuado, pois continua sendo o protetor, mais do que de tudo o que foi mencionado, dos lugares que conferem majestade e vida ao próprio cenário do vale sagrado.

Esses espíritos protetores estão situados perto das lagoas, e vale lembrar que a lagoa de Marhuay abriga uma imponente montanha, que está muito próxima à comunidade de Amaru, conquistando o respeito e a devoção de seus habitantes.

Pitusiray e Sawasiray

O Apu Pitusiray é considerado um espírito sagrado que representa uma montanha, a qual possui 4.991 metros de altura e está localizada na cordilheira de Urubamba, mais especificamente no Distrito de Calca. A relação que mantém com a lagoa de Marhuay é a extensão que vai até a montanha de Sawasiray, abrangendo o vale glaciar interandino. Assim como o Apu Pitusiray, Sawasiray é importante há muito tempo, pois ambos são benfeitores dos produtos agrícolas e também protegem a fertilidade da terra, o plantio, a colheita, e por isso até hoje recebem tributos. Os próprios camponeses rurais codificam o milho utilizando esses espíritos protetores, onde sawasira é o milho branco e pitusira é o milho amarelo. Por essa razão, também se diz que Pitusiray e Sawasiray são protetores do milho.

Uma representação do amor trágico entre Pitusiray e Sawasiray

Você se animaria a visitar este lugar? Aqui está como chegar

Se você estiver na cidade imperial de Cusco, siga os seguintes passos:

  • A partir da Plaza Mayor de Cusco, como ponto de partida, vá até a rua Puputi (8 minutos de carro e 30 minutos a pé) e procure pelo terminal de ônibus para Urubamba. Não se preocupe com os horários de saída dos ônibus, pois eles geralmente partem durante todo o dia, a cada hora.
  • Lembre-se de que esses ônibus não vão diretamente ao destino. Você precisará informar ao motorista o seu destino, que neste caso será Coya, e a viagem levará cerca de 1 hora e 30 minutos.
  • Já no distrito de Coya, você pode pegar um carro particular com direção à lagoa de Marhuay. Lembre-se de que o carro deve ser adequado para a região (preferencialmente uma caminhonete), pois a estrada não é asfaltada. A viagem levará cerca de 1 hora ou mais, dependendo do tipo de transporte e das condições da estrada.

Mapa de rota satelital até a lagoa de Marhuay

  • Depois de aproveitar a vista e o passeio pela lagoa de Marhuay, se você quiser conhecer a comunidade de Amaru, será necessário fazer uma caminhada em direção ao sudoeste, o que levará cerca de 30 a 45 minutos. Você saberá que está perto da comunidade Amaru quando encontrar uma antiga capela abandonada. Ao chegar neste ponto, continue em direção ao leste, seguindo o caminho.

A Antiga Capela Abandonada na comunidade de Amaru

Levando em conta esses passos, aproveite essa viagem. A caminhada será um pouco cansativa, mas valerá a pena. Procure ser gentil com a natureza e respeitar o ambiente ao longo do caminho.

Recomendações de Viagem

  • Durante os meses de abril, maio, junho, julho, agosto, setembro e outubro, é muito mais recomendável viajar, pois o clima é mais equilibrado.
  • É aconselhável levar roupas térmicas, pois as temperaturas são extremamente baixas. Lembre-se de usar botas, mochila e acessórios de montanha.
  • Leve consigo água e alimentos energéticos, pois o percurso será cansativo. De preferência, leve alimentos leves e que não causem sensação de peso durante a viagem.
  • Ao chegar à lagoa de Marhuay, esteja atento às rotas marcadas e aos trilhos. Procure ir acompanhado de alguém experiente e que conheça bem a região.
  • Aproveite para tirar as melhores fotos, pois você estará diante de uma vista espetacular e majestosa.
  • Evite poluir a lagoa e as áreas ao redor e procure seguir as sinalizações e regulamentos para garantir uma viagem harmoniosa.
  • Se desejar chegar à comunidade de Amaru, tenha em mente que a caminhada será longa e é recomendável ir acompanhado de um guia ou pessoal capacitado.
  • Ao chegar à comunidade de Amaru, seja gentil com seus moradores, pois não é uma comunidade muito grande, e você estará em um ambiente familiar.
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