





Comer bem, comer de forma saborosa e variada é um dos maiores motivos de orgulho de quem vive em Lima, uma cidade onde a pergunta “o que vou almoçar ou jantar hoje?” é um verdadeiro dilema — e não por falta de opções, mas sim pela enorme variedade de propostas deliciosas. Os cardápios dos seus restaurantes são uma verdadeira tentação.
Não é à toa que Lima é considerada a capital gastronômica do Peru e da América do Sul. E mais: seus restaurantes estão entre os mais premiados das listas internacionais mais prestigiadas. Esse sucesso se deve ao mestizaje (mistura de culturas) e à fusão culinária que foi se cozinhando lentamente desde as cozinhas pré-hispânicas, coloniais e republicanas.
Outros fatores importantes são a enorme variedade de ingredientes nativos utilizados desde tempos ancestrais, a valorização dos produtos andinos — como a quinua, a maca e a batata, que chegaram a ser marginalizados por não serem mencionados na Bíblia — e a incorporação de técnicas e insumos de outras partes do mundo.
O Peru e sua capital reúnem todas as culturas. E essa diversidade se expressa também na gastronomia, que foi enriquecida com as contribuições dos conquistadores, dos afro-peruanos — cujos antepassados foram escravizados — e dos imigrantes chineses, japoneses, italianos, franceses e de outras nacionalidades.
Essa mistura de saberes e sabores dá um toque único à comida peruana. São essas delícias que te esperam nas suas férias em Lima, onde você vai descobrir uma enorme variedade de pratos do mar e da terra que fazem dessa metrópole um dos grandes destinos gastronômicos do planeta. ¡Buen provecho!
Contents
- Quais são os pratos típicos de Lima?
- Ceviche: um prato cem por cento peruano
- Ají de gallina: quando as aparências enganam
- Causa rellena: um prato com história
- Lomo saltado: dos chifas às mesas crioulas
- Carapulca limeña: o sabor da batata seca
- Pollo a la brasa: uma tentação dourada
- Cau cau: entre o amor e o ódio
- Anticuchos: uma delícia que é puro coração
- Pratos de comida marinha em Lima:
- Onde comer em Lima?
Quais são os pratos típicos de Lima?
Ceviche: um prato cem por cento peruano

Declarado Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco em dezembro de 2023, o ceviche é uma combinação incrível de peixe fresco, suco de limão, pimenta ají limo e cebola roxa cortada em tiras finas. Sal e pimenta completam essa maravilha marinha, servida com milho torrado (cancha) e batata-doce.
Por ser uma cidade litorânea, Lima é “cevicheira” por excelência. Experimente o prato em um mercado popular ou em um restaurante renomado. Acompanhe com um copo de chicha morada (bebida feita com milho roxo) ou uma cerveja bem gelada. E, se você for aventureiro no paladar, peça a versão mista (com peixes e frutos do mar) e peça bastante ají na preparação.
Afinal, como dizem em Lima e em todo o Peru: ceviche que não arde, não é ceviche. Você se atreve a conferir?
Ají de gallina: quando as aparências enganam

Não é o prato mais bonito da culinária limeña e peruana, mas é um dos favoritos — tanto dos locais quanto dos visitantes. Não se deixe enganar pelas aparências. Prove, e você vai se apaixonar por esse prato que combina com maestria o sabor da carne de galinha desfiada com alho, pimenta ají amarelo e pão embebido em leite.
O ají de gallina, e sua versão popular feita com frango, é servido com rodelas de batata, ovo cozido e azeitonas. Um arroz bem soltinho completa essa refeição típica da culinária crioula, presente no dia a dia dos restaurantes e dos lares peruanos.
Causa rellena: um prato com história

“Para a causa”, diziam as mulheres aos soldados que lutavam pela independência do Peru, quando entregavam a eles o seu modesto, mas delicioso almoço: uma mistura de batata amassada, temperada com ají amarelo, limão, sal e pimenta.
Verdade ou mentira, essa é uma das versões relacionadas ao nome da causa limeña. Não é a única, há outras, mas nunca tantas quanto as variantes dessa popular entrada, que é feita com duas ou mais camadas de batata cozida, entre as quais é colocado um recheio, geralmente misturado com maionese.
Os recheios tradicionais são: atum, frango desfiado e abacate com diversos legumes. Existem opções mais sofisticadas, como a causa recheada com camarões ou carne de caranguejo. Qualquer que seja sua escolha, você vai adorar. Não tem erro quando se trata de uma boa causa!
Lomo saltado: dos chifas às mesas crioulas

Em Lima, os sabores ancestrais da gastronomia chinesa foram “crioulizados” nos chifas. Foi nesses locais que os imigrantes orientais começaram a cozinhar nos seus woks (as típicas panelas orientais) e a fogo muito alto, os primeiros lomos saltados do Peru.
Essa delícia, que combina pedaços suculentos de filé de boi, cebola, tomate, ají amarelo, vinagre, molho de soja (sillao) e outras especiarias, mistura sabores e aromas em uma enorme frigideira. É o exemplo perfeito da união de técnicas e ingredientes de duas culturas milenares.
Mas um lomo saltado respeitado nunca estará completo sem o acompanhamento de uma generosa porção de batatas fritas e arroz branco bem soltinho. Esse cereal, consumido diariamente na China e no Peru, é mais uma demonstração do vínculo gastronômico entre as duas nações.
Carapulca limeña: o sabor da batata seca

O ingrediente principal e a origem de seu nome vêm dos Andes e do Altiplano, mas sua apresentação atual é fruto do mestizaje e da contribuição afroperuana. Assim é a carapulca limeña, um prato feito com batata seca, cujo nome vem do aimara qala phurk’a, que significa “cozinhar sobre pedras”.
A carapulca é um saboroso guisado que, além da batata seca, leva carne de porco, galinha ou frango. Este prato é temperado com ají panca ou colorado, alho, amendoim torrado e moído, cravo, vinho doce e várias especiarias. Normalmente é servido com mandioca cozida, substituindo o arroz graneado tradicional.
Pollo a la brasa: uma tentação dourada

A maioria dos limeños e peruanos são fervorosos devotos do pollo a la brasa. Nas principais cidades e até nos menores vilarejos, você encontrará um lugar para saborear esse clássico moderno da gastronomia nacional. Acredita-se que ele surgiu em 1950, no restaurante La Granza Azul, em Santa Clara, de propriedade do suíço Roger Schuler.
Devido à necessidade de vender os frangos que criava em sua fazenda, Schuler decidiu oferecê-los já prontos para o consumo. Assim, com a ajuda de seu sócio Franz Ulrich, criaram um sistema em que a ave girava lentamente sobre as brasas, garantindo uma cocção uniforme e perfeita.
Esse foi o início do pollo a la brasa, que é temperado com diversas especiarias e acompanhado de batatas fritas, salada e uma grande variedade de molhos (ají, mostarda, ketchup, maionese, entre outros). Existem variações, como o “mostrito”, que inclui uma porção de arroz chaufa. Ideal para compartilhar com a família ou amigos, no terceiro domingo de julho se celebra o Dia do Pollo a la Brasa em todo o Peru. Você vai se juntar à festa?
Cau cau: entre o amor e o ódio

Ou você ama ou você odeia. Não há outras opções quando se trata do cau cau, um dos pratos crioulos mais polêmicos, a ponto de ocupar posições de destaque nas listas dos melhores e dos piores pratos nacionais. No final, recomendamos que você experimente. Assim, saberá em que grupo você se encontra.
O cau cau é preparado com mondongo (estômago de boi). Este é cortado em pedaços e temperado com alho, cebola, ají amarelo, açafrão, coentro e folhas de louro. A esse guisado, que mistura elementos indígenas, europeus e afroperuanos, são adicionadas batatas cortadas em cubos. É servido com arroz branco soltinho.
Anticuchos: uma delícia que é puro coração

São necessários dois corações para preparar bons anticuchos. Um é o da carne de boi que, depois de ser temperado com alho, vinagre e ají panca ou colorado, é colocado em uma grelha alimentada com carvão. O outro é o do anticuchero ou anticuchera, que adiciona amor e carinho ao preparar um dos clássicos da comida de rua.
O anticucho é uma espetada acompanhada de batata cozida, milho (choclo) e um ajicito especial. De origem afroperuana, é uma comida popular das ruas, esquinas e becos. Pelo seu excelente sabor, foi conquistando seu espaço nos restaurantes, até se tornar um ícone da gastronomia criolla.
Pratos de comida marinha em Lima:
Chupe de camarones: uma sopa que veio do sul

Embora tenha origem na cidade de Arequipa, na capital do Peru você encontrará mais de um lugar para experimentar essa sopa substanciosa, cujo ingrediente principal são os camarões. Esses crustáceos de água doce e salgada são tão grandes que parecem sair do prato.
O chupe (do termo quechua chupi, que significa “sopa”) é preparado com leite, arroz, batata, ají, alho, cebola roxa, sal, pimenta, orégano e óleo. Uma combinação de sabores que vai fazer uma verdadeira festa no seu paladar. Se você quiser sentir o sabor arequipeño em Lima, recomendamos esta sopa em que você vai acabar chupando os dedos.
Parihuela de peixes e frutos do mar: uma sopa que levanta mortos

Se você perguntar a um limeño como ele definiria essa sopa, é muito provável que ele te diga: “A parihuela é um levanta mortos”. Assim de poderosa e energizante é essa preparação que potencializa os sabores dos frutos do mar peruanos, um dos mais ricos do planeta.
Se você está exausto de tanto andar pela cidade ou se sua noite foi longa demais, recupere-se com uma fumegante parihuela. Ela é feita com peixe branco, mexilhões, polvo, cebola, tomate, ají amarelo, entre outros ingredientes que espantam o cansaço.
Tacu tacu: a ressurreição do feijão

Este prato tem sua origem no costume de raspar o concolón (restos de comida que ficam no fundo da panela). Quando sobra um pouco de feijão, fava ou lentilha do dia anterior, essas são colocadas em uma frigideira. Em seguida, adiciona-se arroz e um tempero criollo, misturando-se ritmicamente todos os ingredientes.
O tacu tacu está pronto quando se forma uma massa compacta e dourada. Já no prato, a preparação é “alegrada” com um molho de frutos do mar e peixe frito. Também pode ser servido com uma “cobertura” de bife à milanesa e lomo saltado, entre outras variações que incluem um simples ovo frito. Hoje, esse prato de raízes afroperuanas adorna os cardápios dos restaurantes crioulos.
Arroz com mariscos: duas paixões limeñas

Os limeños são fãs de arroz, e como sua cidade está voltada para o mar, não é difícil imaginar que algum cozinheiro tenha pensado em misturar o cereal indispensável com a diversidade de mariscos que os pescadores extraem das águas do Pacífico. O resultado dessa combinação é um dos pratos mais populares da capital.
O arroz com mariscos é temperado com cebola, alho, tomate, pimentão, ají panca e ají amarelo. Em seguida, adicionam-se os mariscos previamente fervidos (conchas de abanico, camarões, caracóis, lula, polvo, entre outros) e o arroz cozido. Finalmente, são acrescentados ervilhas e pimentão (alguns cozinheiros adicionam milho e cenoura).
Onde comer em Lima?
Os limeños costumam dizer que em sua cidade se come bem nos quiosques de rua, nos mercados, nos huariques (restaurantes escondidos, reservados para os conhecedores) e nos restaurantes exclusivos. Enfim, em todo lugar e em todas as casas.
Por isso, você encontrará uma ampla e variada oferta gastronômica. Nos distritos como Miraflores, San Isidro e Barranco, os preços costumam ser mais elevados. Nesses lugares, estão os restaurantes da moda e os que oferecem cozinha autoral e propostas inovadoras.
Se você procura restaurantes com as três B (bons, bonitos e baratos), recomendamos visitar o Centro Histórico de Lima, por conta própria ou com os nossos free tours. Nesse caso, seu guia irá orientá-lo para que você coma bem sem gastar muito. Os preços variam entre 10 e 30 soles (de 4 a 10 USD).
Já sabe, suas férias em Lima não estarão completas se você não se aventurar pelos seus restaurantes, onde encontrará o melhor da comida peruana. Você também pode se inscrever em um tour gastronômico por Lima.
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